Decisão de Teori pode colocar ex-senador José Sarney nas mãos do juiz federal Sérgio Moro

24 de setembro de 2016 0 Por blogh

sarney

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki decidiu nesta sexta-feira (23) fatiar a delação premiada do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado. Com a decisão, caberá ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, decidir se novas investigações serão abertas em separado, a partir das declarações de Machado. Os termos do acordo foram homologados em junho.

As novas frentes da primeira fase da investigação, se solicitadas por Janot e autorizadas pelo ministro, deverão tratar sobre o suposto “acordão” para barrar as investigações da Lava Jato, uma doação de R$ 40 milhões do Grupo JBS para o PMDB, um suposto repasse ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) de recursos para viabilizar a candidatura dele à presidência da Câmara dos Deputados em 1998 e o suposto pedido do presidente Michel Temer de ajuda de recursos para a campanha do ex-candidato à prefeitura de São Paulo, Gabriel Chalita.

A partir da decisão de Zavascki, o procurador-geral também deverá avaliar como será apresentada ao Supremo a investigação contra mais 20 políticos citados pelo ex-diretor acusados de receber propina.

Na mesma decisão, o ministro decidiu que somente citados que tem foro privilegiado, como os deputados e senadores, vão responder às acusações na Corte, o que exclui o nome do ex-senador José Sarney (PMDB) – foto acima – mas beneficia Edison Lobão (PMDB-MA), por estar cumprindo mandato de senador. Os demais serão enviados para julgamento pelo juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas investigações da Lava Jato na primeira instância da Justiça Federal em Curitiba.

Veja quem são os citados por Sérgio Machado:

  • Renan calheiros (PMDB-AL) – Sérgio Machado disse ter repassado ao senador mais de R$ 30 milhões em propinas. Renan diz que nunca autorizou ninguém a falar em seu nome e que todas as doações de campanha que recebeu foram “legais, com contas prestadas à Justiça e aprovadas”. “De modo que não tenho nada, absolutamente, a temer.” As declarações de Machado estão nos depoimentos de delação premiada tomados pela força-tarefa de investigadores da Operação Lava Jato, que foram tornados públicos após decisão do ministro Teori Zavascki, por meio da decisão que retirou o sigilo das oitivas.
  • Valdir Raupp (PMDB-AP) – Sérgio Machado  na sua delação diz que atendeu pedidos do senador, mas este afirma que nunca  solicitou  ao delator doações para campanhas eleitorais”. O senador finalizou a nota dizendo que  as citações feitas por Machado são “mentirosas e descabidas”.
  • Gabriel Chalita (PMDB) – Teria sido beneficiado com recursos de propina para sua campanha a prefeito de São Paulo em 2012, mas ele nega. “Nunca lhe pedi recursos ou qualquer outro tipo de auxílio à minha campanha. Esclareço, ainda, que todos os recursos recebidos na minha campanha foram legais, fiscalizados e aprovados pelo Tribunal Regional Eleitoral”, informou.
  • Edison Lobão (PMDB-MA), Romero Jucá (PMDB-RR) e José Sarney (PMDB-AP) – Os três foram citados em gravações.
  • Cândido Vacarezza (PT) – Sérgio Machado que fez transferência para sua campanha, contudo, ao se defender, disse que “nunca apresentei nenhum empresário a ele. Nunca tive relação de amizade e nem intimidade com Sérgio Machado para falar de dinheiro ou de contribuição para campanha”, afirmou o ex-líder do PT.
  • Agripino Maia (DEM-PI) – O Senador afirma que, apesar de desconhecer o inteiro teor da delação do ex-senador Sérgio Machado, a quem conhece e conviveu no período em que o delator foi senador, as doações “foram obtidas sem intermediação de terceiros, mediante solicitações feitas diretamente aos dirigentes das empresas doadoras”.
  • Felipe Maia (DEM-RN) – O deputado  diz que, como político de oposição há dez anos, não teria como condicionar doação à troca de favores de governo.
  • Jandira Fhegali (PCdoB) – Nega que tenha pedido ajuda a Sérgio Machado. “Foram encontros públicos, reuniões do setor da indústria naval, inaugurações, episódios vinculados aos mais de 30 anos de luta em apoio e soerguimento do setor naval e defesa de seus trabalhadores”.
  • Luiz Sérgio (PT) – O deputado admite que recebeu doações, mas que elas foram todas lícitas.
  • Heráclito Fortes (PSB-PI) – Também nega ter recebido favores do ex-presidente da Transpetro.
  • Jader Barbalho (PMDB-PA) – Afastado do Senado por problemas de saúde, Barbalho desclassificou o ex-presidente da Transpetro e suas declarações em delação premiada. “Sergio Machado é um canalha, que roubou a Transpetro de todas as formas. Somos incompatíveis desde que deixei o Senado em 2001″.