BASE DE ALCÂNTARA PODE LANÇAR VEÍCULO ESPACIAL EM 2021

30 de maio de 2020 0 Por blogh

Na mesma semana em que a Nasa deve concretizar sua primeira missão espacial tripulada em nove anos, o Brasil deu o primeiro passo para transformar o Centro Espacial de Alcântara (CEA), no Maranhão, em um polo de lançamento de veículos espaciais.

Após começar a receber propostas de empresas interessadas em lançamentos orbitais e suborbitais, a Agência Espacial Brasil (AEB) anunciou na segunda-feira (25) que já conta com “uma dezena de potenciais candidatas a operar em Alcântara” e já prevê decolagens a partir de 2021.

Alcântara é uma base de lançamento de foguetes da Força Aérea Brasileira, que firmou um acordo no começo de maio para que a AEB negocie com empresas que queiram disparar seus foguetes de lá.

A localização do CEA tem características que a privilegiam:

  • Fica a 2º18′ a sul do equador;
  • Está próxima do mar, o que permite lançamentos em órbitas polares e equatoriais;
  • Tem baixa densidade demográfica e de tráfego aéreo;
  • Não há terremotos e furacões.

Para se ter ideia de como alguns desses fatores são cruciais, o mau tempo no Cabo Canaveral, na Flórida, obrigou a Nasa a adiar na quarta-feira (27) a primeira missão desde 2011 a levar astronautas norte-americanos ao espaço a partir de solo dos EUA. O Brasil quer fazer de Alcântara a “janela de acesso ao espaço no Hemisfério Sul”.

“O entendimento de que os principais centros de lançamento estão no hemisfério Norte. O Brasil tem um vizinho, bastante competitivo, que é o Espaçoporto de Kourou, na Guiana Francesa, a cinco graus de latitude Norte. No hemisfério Sul não temos nada parecido, e a Localização de Alcântara comparada a outras é uma das melhores ou a melhor posição geográfica”. AEB.

O acordo entre FAB e AEB foi o último capítulo na preparação para o Brasil fazer seu projeto espacial decolar. Antes disso, o Senado aprovou em novembro de 2019 um Acordo de Salvaguardas Tecnológicas para uso da base espacial de Alcântara, o que permite o uso comercial do local.

Isso abriu caminho para o Brasil explorar um mercado espacial que movimenta cerca de US$ 350 bilhões (R$ 1,5 trilhão) ao ano. A AEB espera que este bolo cresça e atinja US$ 1 trilhão (R$ 4,4 trilhões) em 2040. A partir deste ano, o Brasil espera, em um cenário conservador, fisgar ao menos 1% desse negócio, algo como US$ 10 bilhões (R$ 44 bilhões).

Antes de os dois acordos serem firmados, o Brasil já era abordado por companhias. Com o chamamento público desta semana, as propostas começaram a ganhar corpo, diz a AEB.

“Existem no mundo hoje, entre pequenas e grandes com foco de atuação em pequenos lançadores, cerca de 100 empresas. No momento há uma dezena de potenciais candidatas a operar em Alcântara”, afirma a agência.