AS MÃOS CANSADAS DE UM SACERDOTE

AS MÃOS CANSADAS DE UM SACERDOTE

30 de junho de 2021 0 Por blogh

De sua cadeira de rodas participava da missa sentado. Todo o rito como de costume. O padre das desobrigas, que por muitas vezes celebrou várias missas em pé, agora celebra sentado. O bispo, presidente daquela celebração, anuncia que irá levantar a hóstia sagrada. Inicia-se o rito de consagração do corpo e sangue de Cristo. Num movimento exausto, acena para um outro padre, quase 50 anos mais jovem que ele, para ajudá-lo a se levantar. Quer estender as mãos para a consagração. As mãos cansadas já não se sustentam por si só no ar. De repente elas caiem sobre o altar. Eis as mãos cansadas de um sacerdote.

O altar agora é sustento para os seus braços, tal como foi o cajado de Moisés durante a batalha contra Amalec. Não seria comparação exacerbada ao dizermos que enquanto as mãos deste homem conseguirem estender-se sobre a hóstia e o cálice, Pinheiro ganhará em suas batalhas diárias.

Homem de personalidade forte, agora é abatido pela ação do tempo; homem atlético, agora sedentário; homem bravo, agora manso. Mas nada tira a altivez do seu olhar e sua palavra eloquente, sempre em tom poético.

O rito conclui-se. Senta-se novamente, e dá um grande suspiro como quem diz para si mesmo: “está tudo consumado”. O homem vale a causa à que serve, quanto maior a causa, maior o valor. A causa deste sacerdote custou-lhe a vivacidade e a força necessária para manter suas mãos erguidas.

Este sacerdote de mãos cansadas é Pe. Luís Risso. Para um padre as suas mãos ungidas é o que imprime caráter na celebração da Santa Missa. Na epiclise, movimento de estender as mãos pedindo a força do espírito para transforma em corpo e sangue as espécie sobre o altar, é condição indispensável para que a missa seja válida. Mas quando as mãos deste homem não mais se estenderem, bastará o seu olhar dirigido ao céu, então sua ação de graças será válida. Viva ao homem que foi e é, na medida do possível, todo eucaristia, deu o seu corpo para ser consumido na missão.

Dicinho Marques